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O TEMPO

15 ANOS

Dá um Tempo!

A infância, capítulo marcante na formação de qualquer pessoa.

A conclusão que cheguei nesses úlitimos anos trabalhando com as crianças, foi a seguinte: para existir pessoas mais equilibradas e comunidades mais saudáveis é essencial ter tempo para ser criança. (Brilhante, não acham?)

Foi um aprendizado, por intuição e prática, com a minha experiência de mãe do Lorenzo e organizadora de eventos multiculturais para crianças e famílias, combinado inicialmente, com o direcionamento pegagógico da minha sábia avó e alfabetizadora, Professora Anna Martini.

Desde que comecei a reunir as crianças em casa, inicialmente pensando em transmitir a cultura brasileira, bem como os hábitos que tive na infância, fui aconselhada pela minha avó a não tirar do Lorenzo a oportunidade essencial no desenvolvimento da infância: o tempo para descobertas.

E com esse ensinamento essencial, acrescentei com os demais pontos que descobri serem importantantes no trabalho de recreação multicultural. E sendo assim, criei uma maneira de brincar e aprender ao mesmo tempo, metodologia, pontuada em 5 elementos primordiais: 1.a liberdade de tempo; 2.a perpetuação da cultura de cada família; 3. o uso de elementos básicos e desenvolvimento de atividades lúdicas; 3. o contato e cuidado com a natureza, bem como também com a propria comunidade ao redor; e 5. a apreciação pelo encantamento de viver com magia, ou seja, a maneira em que tudo isso é apresentado às crianças.

O tempo passou e ela tinha mesmo total razão!

Liberdade na 1ª Infância

Lembrando o que a minha avó me disse, a primeira vez que me viu organizando o playdate* para o meu filho com outros brasileiros: “Vocês não estão deixando essas crianças serem crianças, preparando sempre tudo para elas, a criança precisa de ambiente propício e seguro, estar sempre vigiada, mas precisa ter a liberdade para brincar”. E, embora eu tenha preparado tudo com todo capricho do mundo, tenha pensado em cada detalhe para formar a ambientação que combinasse com o tema do dia, (ainda lembro que o 1o encontro que fiz em casa o tema era formas e cores), havia juntado todas as bolas que encontrei do Lorenzo no quarto dele e almofadas coloridas), fiz bolo caseiro, coloquei a “Casa de Brinquedos” de Toquinhos para tocar, mas segundo a sabedoria da educadora, eu continuava obstruindo a passagem natural e espontânea para que simplesmente essas crianças se sentissem entrigadas, e descobrissem a própria bola por elas mesmas e o que fazer com ela.

* Nome dado nos Estanos Unidos aos momentos que se combina para reunir as crianças para elas brincarem entre si.

Relacionamento Humano e Curso Natural, no Tempo Certo

Eu estava tentando fazer dos dias das brincadeiras, “playdates”, aulinhas para integrar as crianças umas com as outras, mas aprendi que tudo deveria acontecer de uma maneira mais natural, dar mais chance ao desenvolvimento espontâneo. Foi algo que também aprendi na prática e observando-as. Foi o que me fez procurar artigos de psicólogos que explicavam sobre os nossos excessos como pais modernos, super ligados. Lembro bem da frase ultra repetida entre nós adultos: “Você tem que dividir”. Segundo alguns especialistas, deveríamos reavaliar nossa maneira de educar, porque isso também dependia da maneira que interferíamos nas brincadeiras deles, pois deveria existir uma progressão por idade, quanto ao ato de dividir os brinquedos. Eu, por exemplo, além de querer “rolar a bola” por eles, também convidava todos os amiguinhos do Lorenzo para “invadir” o quarto dele. (Exagero dizer assim, mas pensando bem, na cabecinha deles em formação, dentro do universo protegido que arrumamos para eles, deixar outras crainças mexerem em tudo, também deveria parecer um pouco demais para o meu pequeno). Egoísmo, logicamente que nem em tempos modermos é saudável. Mas para ensinar, aprendi que há o tempo e movimento certo para acontecer, e que não precisamos tensionar para querer fazer tudo “certo” e nem nos compararmos com o tempo em que as outras famílias estão fazendo as coisas.

O Ponto Importante da Vovó: A Liberdade

Espontaneidade e liberdade, para que cada um percorra o caminho do descobrimento e consequentemente e muito provavelmente encontre a satisfação. É isso aí, a vovó tinha razão, todos precisamos ter essa chance. E é um caminho, ou maneira de caminhar que segue pela vida toda.

Depois da experiência das tardes de brincadeira para o meu filho, comecei a organizar grupos para outras crianças e comecei a cobrar pelos Playdates Culturais. Hoje, mais do que nunca, reafirmo o porquê que eu insistia tanto em não deixar os pais dizerem aos filhos, quando vinham aos encontros que organizava, que era “aula”. Repito sempre o que escutei do Daniel, um menino de 4 anos que frequentava as sessões, ainda na época que o Peki era chamado de Clubinho. Ele disse à mãe, quando ela o chamou para ir à aula de Português: “ Não mãe, não é aula, é o Clubinho, é a Tia Vanesa”. Essa denominação para mim sempre foi de total importância, porque eu estava defendendo a metodologia, que independentemente do conteúdo apresentado, era crucial naquele momento da semana, que eles estivessem indo de coração aberto ao “momento livre” da agenda deles, diferenciado das aulas e outros afazeres que tivesssem.

Quase me rendi às “aulas”, porque em alguns planejamentos e parcerias que tentei fazer para abrir o negócio, teria que chamar nossos encontros, o Peki, de aula, para ser mais fácil de fazer entender o que era.

Comercialmente mais atraente ou não, o fato é que com a experiência que venho acumulando, tanto com os meus contatos e eventos pessoais, quanto com o meu trabalho para o setor público, o Battery Park Ciy Parks, servindo famílias e crianças, confirmo que é preciso ter um momento para fazer descobertas e aprender, sem ser ou pensar que é aula.

Embora haja mais estudos e alertas referentes aos excessos de cuidados dos pais e super programação nas vidas dos nossos filhos, ainda não vejo pais deixando espaço e tempo suficientes para eles usufruirem. Ou seja, o tempo para introduzir uma maneira instigadora para que eles possam se desenvolver por eles mesmos e se sentirem mais seguros.

Parece que mesmo hoje em dia, sabendo pelas estatísticas de especialistas, o quanto é bom incluir o tempo do ócio e a oportunidade para eles desenvolverem as atividades, nós pais não encontramos a maneira para proporcionar isso na vida moderna com mais naturalidade.

Eu continuo achando, que antes de mais nada, poderíamos rever a maneira que nos comunicamos com as crianças e quando apresentamos algum conhecimento novo, como estamos fazendo isso e até que ponto está sendo válido para o desenvolvimento deles.

Deveria haver tempo e maneira adequada para tudo, porque o que não falta é estimulo e informação.

Porém, infelizmente, falta tempo para processar tanto conhecimento.

Atividades Extra Curriculares

Liberdade & Natureza

Tudo bem, por exemplo, falamos muito agora o quanto é importante ter mais contato com a natureza. Isso sem dúvida é maravilhoso. Porém, se isso for ser mais uma aula, mais um compromisso, mais um discurso para escutar, pode até causar “Ecophobia”( são tantas informações se passadas como aula e até preocupações ecológicas, que poderá causar aversão ao tema). Ou mesmo, ser apenas mais uma informação passando na vida deles, sem causar o necessário apego de fato.

Por exemplo, nas aulas que auxilio no Battery Park de jardinagem, natureza e observação aos pássaros, são ótimas e validas experiências, especialmente para aqueles que não têm acesso regularmente à natureza. Porém, eu me preocupo muito em mesclar ao currículo, muitos momentos lúdicos e principalmente, na hora de ensinar mesmo, trabalhar uma maneira de fazê-los: descobrir, perguntar e concluir.

Eu tenho um bom exemplo que escrevi antes aqui, na página do PekiNY, é sobre uma experiência que fiz com as minhas sobrinhas, Manu e Rafa no Brasil

https://www.pekiny.com/single-post/2017/08/26/Quem-Gosta-Cuidablog PeKi

"Quem Gosta Cuida"

O poder da experiência em descobrir a natureza espontaneamente, é tão importante, ou maior, do que qualquer aula teórica. A criança tira suas proprias conclusões, ativando todos seus sentidos, diante das infinitas conexões que pode fazer com esse contato.

Eu já tinha visto, mas ao invés de logo dizer: "Olhem, isso é..."; apenas caminhei para mais perto e arrumei uma desculpa para elas olharem para o chão, e assim, descobriram: um caminho de formigas. Foi fantástico! Seguiram o caminho das formigas, observaram o tanto que elas carregavam nas costas, observaram, observaram... até chegarem ao formigueiro, aonde as formigas estavam na maior arruaça, arrumando a casa, quis dizer, o formigueiro. Aí, após olharem bastante intrigadas, resolveram ver de onde as formigas tiravam aquela mercadoria de folhas, flôres e insetos. Perseguiram um longo caminho até descobrirem a fonte do material todo, e gritaram entusiasmadìssimas: “ Tia Vanessa, tia Vanessa, olha como as formigas são espertas, elas estão seguindo até o topo da árvore para buscar as folhas e flores”. E assim foi a nossa manhã, cheia de novidades e contentamento. Tenho certeza que elas nunca mais vão esquecer aquele dia.

A desculpa criada para sair de casa era outra, era para catar folhas, galhos e flôres, para fazer máscaras de coelho da Páscoa e ninhos. Isso sim, foi uma ideia guiada, fazer enfeites usando a criatividade, mas a minha preocupação era também, levá-las ao encontro da Natureza.

Percebi convivendo com crianças que vivem nas cidades, que elas precisam ter a chance de vivenciar e ficar intrigadas com as surpresas da Natureza. E quem sabe, além de mais felizes, vão cada vez mais gostar desse mundo fascinante e se tornarão grandes defensoras do meio ambiente.

IDADES & DISCIPLINAS

O sábio conselho da Vovó, lá atrás, de dar tempo e o tempo certo para cada coisa, tem servido de referência para mim em todo crescimento do meu filho, até a presente adolescência.

Enquanto na primeira infância, eu havia notado que era importante ter esse tempo na hora de brincar, depois passou para as praticas de esportes, quando já maiorzinho e hoje, noto isso, nas aulas acadêmicas.

Práticas de Esportes

Eu sempre achei excessiva as aulas, clínicas e jogos, desde de muito cedo, mas fui claramente criticada pelos pais ao meu redor e pelo meu próprio filho, (mesmo depois de um conceituado ortopedista no Brasil, ter dito o mesmo em uma consulta com ele, porque aos 8 anos não aguentava de dores nos pés e foi diagnosticado com stress devido ao excesso de exercícios). Mas, aqui em NY, era diagnosticado como dores de crescimento. Eu nunca fui contra as atividades físicas, muito pelo contrário, sempre fui uma espuleta e apaixonda por movimentos. Mas, sempre condenei o fato das crianças estarem crescendo sem tempo para eles mesmos se organizarem, acharem companheiros para jogar e desenvolver as proprias jogadas, sem sempre ter técnicos e pais acessorando. Existem fatores que contribuem para essa realidade em que vivemos, como o interesse comercial daqueles que vivem dessa indústria e a própria ansiedade da nossa geração de pais, que ainda vive em uma atmosfera competitiva. Enfim, somos ocupados e muitas vezes com poder aquisitivo, queremos estar tranquilos que estamos dando o melhor aos filhos. Pecamos mais uma vez pelo excesso, mas nesse caso, não de tempo.

Na semana passada, conversei com um técnico de futebol da escola do Lorenzo e treinador de jogadores profissionais. (Pretensão a minha querer falar de futebol, mas para falar de garra e entusiasmo, não precisamos bater um bolão, não é verdade?). E foi dessa conversa informal, que sutilmente, fiz menção ao basquete em NY e aos moradores de áreas como o Harlem e o Bronx, que estão sempre com o uma bola de basquete na mão, crescem fazendo cestas pelos bairros brincando e que são infinitamente mais criativos e ágeis nas quadras quando jogam com os jovens que vivem mais de treinos técnicos. Eu também, comentei da minha experiência assistando aos jogos de futebol do Lorenzo há quase uma década, e disse que sempre notei as crianças, quase que literalmente, olhando para os técnicos na hora de fazer o gol, como se esperassem por uma estratégia. Sugeri levá-los jogar futebol nas praias brasileiras somente de calção para se soltarem mais. Ele não somente concordou, como disse que isso era a razão pela qual o futebol nos Estados Unidos não atingia tanta excelência pela falta de oportunidade de jogarem simplesmente e desenvolverem mais a criatividade para jogar. ( O Lorenzo queria morrer quando me viu nesse papo todo e estava louco para dizer: " Nada haver mãe".

Eu acredito que, quanto mais a criança tenha uma agenda equilibrada que combine tempo acadêmico com tempo livre para desenvolver suas habilidades, melhor será o desempenho desse jovem mais tarde em diversas áreas.

Existe uma evolução progressiva para o aprendizado técnico, seja acadêmico ou motor, mas sem dúvida, eu vejo crianças mais seguras, bem sucedidas e emocionalmente melhor no que fazem, quando é respeitado esse tempo adequado para o seu desenvolvimento. Aprender algo antes da maioria, o que nós adultos, muitas vezes achamos um sinal de inteligência, não significa um sinal de sucesso e inclusive atrapalha.

Tutores

Também, não vou deixar de comentar o que causa mais controvérsia ainda no meio que vivo: os tutores .

Principalmente agora, que vivemos um momento de grandes incertezas e mudanças em relação às carreiras e ao mercado de trabalho, já existem sinais claros por parte das universidades e lideres do mercado profissional, dizendo que além da formação formal acadêmica, conta-se muito com a versatilidade e poder de adaptação dos candidados. Ou seja, ao meu ver, quanto mais essa habilidade de olhar, descobrir, escolher for praticada, mais chances terá o jovem de sucesso.

A controvérsia, vem da minha conversa com o Dean da escola sobre “Tuttors”. Eu não concordo em ter professores particulares, enquanto as crianças estão supostamente nas escolas mais competitivas e conceituadas que a cidade pode oferecer. Entendo ter um apoio temporário, por uma dificuldade que o aluno possa apresenatr em relação ao grupo, mas ter uma apoio extra fora da escola constante, é um mal que nós pais estamos proporcionando. Isso, para mim, é tirar a vara de pescar na frente da água e dar o peixe, talvez no anzol, para tirar. Então, nessa linha de pensamento, disse ao Dean: “O meu filho é incapaz de acompanhar o currículo, ou seja, a escola não serve para ele, e só vai causar frustrações e impedir que ele se desenvolva no que realmente for melhor para o futuro dele, ou a escola não está apta a ensinar, ou ele está envolvido psicologicamente com essa idéia confortável de nós pais, “lavarmos as mãos” e nos assegurarmos de que estamos dando tudo o que podemos, e com isso o aluno já fica mais preguiçoso na hora de prestar atenção na aula formal ou se organizar para ir ao departamento de reforço que a própria escola oferece, porque sabe que quando chegar em casa tem o seu tutor particular”. E o Dean me respondeu: “ Pois é… 75% dos alunos têm mais de um tutor, você sabe como é o mercado, os pais preferem garantir…” Eu não quero brigar com o sistema, mas existe uma política a seguir e só cabe às nossas famílias, o bom senso de dar equilíbrio, dançando conforme a música tocada no salão, com respeito aos nossos valores. Apenas deixei claro, que entendo a posição de tentar colocar um filho na Universidade, que já o deixa com um cartão de visitas bem marcado para sempre, mas a minha aflição é que mesmo garantindo essa cadeira, não conseguiremos carregar ninguem aos empregos, as oportunidades e muito mais delicado, à satisfação pessoal.

Geração Milênios

Querem saber de experiências, mais do que acúmulos materiais. Eles já estão dando nó nos pais moderno